O website Psychology Today escreveu no início do ano um artigo que mostra que não há semelhança entre o vício em video-games e o vício por jogos de azar. Mas a matéria vai ainda além e fala como as pesquisas são inconclusivas também na hora de tentar mostrar que a violência em jogos eletrônicos está relacionada à violência no mundo real.
A primeira constatação é óbvia: quando uma pessoa que joga video-games aparece no jornal por causa de alguma violência ou acontecimentos bizarros (como aquele sul-coreano que morreu após passar 50 horas jogando no computador sem fazer mais nada), ela não representa a massa de jogadores de todo o mundo. Ela é uma porcentagem mínima dessa população. O mesmo acontece para pessoas violentas que não jogam video-game. O artigo, escrito por Peter Gray (doutor em ciências biológicas e professor de psicologia na Boston College) apresenta fontes diferentes que chegaram à mesma conclusão para crianças: estudos que tentam mostrar a conexão entre a exposição a video-games violentos e efeitos prejudiciais à crianças não provam que essa exposição faça os menores agirem de maneira agressiva. O que alguns estudos puderam comprovar é que apesar deles não terem qualquer efeito na violência entre crianças, esse efeito acontecia com frequência apenas em crianças cujos pais ou amigos eram violentos. A influência não vem do mundo virtual, apenas do mundo real.
As pesquisas com resultados positivos são aquelas que buscam provar que esses jogos eletrônicos aproximam pessoas jovens e as ajudam a se relacionar com outras. O problema é que o estigma produzido ao redor dos video-games faz com que muitos associem os jogadores a características como preguiça e vício, além da violência já citada. Outra coisa que pesquisas provam é que esses estereótipos são muitas vezes internalizados e jogadores sofrem de negativismo autorrealizável.
É verdade que muitos jogadores deveriam dividir melhor seu tempo, mas quem é que não tem problemas em organizar o tempo útil? A maior prova que video-games não são sinômino de preguiça é que eles exigem muita dedicação, e não é uma dedicação fácil, passiva: jogos são difíceis e fazem o jogador pensar, evoluir e se esforçar para passar fases e situações do jogo. Além disso, as muitas horas de jogo podem ser muito mais que um vício, mas uma solução ou fuga de problemas sérios na vida real. Estudos mais uma vez provam que poucos são os jogadores que sentem real necessidade de jogar – e não apenas a vontade – e que esses jogadores são pessoas que não tem suas necessidades psicológicas básicas (necessidade de liberdade, competência e relações sociais) realizadas na vida real.
Portanto, antes de se render ao estereótipo e aos estigmas, vá atrás do verdadeiro problema, porque a reposta está em nossas vidas reais.
